quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Revolução


«Os tempos daquela superstição que atribuía as revoluções à descrença de uns tantos agitadores já passaram. Cada qual sabe agora onde quer que haja uma covulsão revolucionária, que existe no fundo de tudo isso qualquer necessidade social que as instituições viciadas impedemque seja satisfeita. A necessidade não pode ser muitas vezes expressa com precisa violência para se lhes outorgar um êxito imediato, mas qualquer tentativa de repressão pela força a tornará cada vez mais poderosa, até conseguir fazê-la romper todos os seus entraves. Se formos então derrotados, não temos mais nada a fazer do que recomeçar novamente tudo de princípio.

E, felizmente, o breve intervalo que nos concedem entre o final do primeiro e o princípio do segundo acto do movimento, dá-nos tempo para realizar uma parte interessante da obra: o estudo das causas que produziram a prévia comoção e a sua derrota, as causas que não deverão ser procuradas nos acidentais esforços, talentos, faltas, erros ou traições de alguns chefes, mas antes no estado social geral e nas condições de existência de cada uma das nações agitadas.»


Karl Marx, «Revolução e Contra-revolução»

3 comentários:

  1. Excelente artigo, esse texto é arrepiante de actual que está. Não é mais que um aconselho ao movimento socialista actual, um aconselho intemporal até à vitória.

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